.: Sobre o HIV

O que é AIDS?

A AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, em português) é um conjunto de sinais, sintomas e alterações laboratoriais em decorrência da infecção pelo vírus HIV.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão do vírus se dá de por transmissão sexual sem uso do preservativo, seja sexo anal, oral, vaginal, ativo ou passivo; compartilhar agulhas e seringas contaminadas por HIV; transfusão de sangue contaminado por HIV. Há também a "transmissão vertical", quando a mãe está contaminada pelo HIV e transmite o vírus para o bebê (dentro da barriga ou pelo leite materno). A transmissão vertical ocorre principalmente nos casos em que a mãe não faz o tratamento adequado durante o pré-natal.

Quais são os sintomas?

Os sintomas mais corriqueiros são problemas crônicos - de persistência superior a três semanas - como cansaço, febre no final do dia, perda de peso, diarréia crônica, tosse, dinamia (fraqueza generalizada), dor no corpo. Outros sintomas maiores são a pneumonia de repetição, aparecimento de herpes zoster (vulgo cobreiro, decorrente da retivação do vírus da varicela) em pessoa jovem, sapinho na boca ou no esôfago, tuberculose pulmonar de forma não convencional, meningite e outros.

Porque algumas pessoas que vivem com o HIV não manifestam a doença ou manifestam de forma muito tardia?

Em torno de 5 a 15% das pessoas têm um fator que faz com que, mesmo depois de 20 anos com o HIV, elas não manifestem a doença. Isso é uma especificidade desse grupo, estudado exaustivamente para saber se há algo que pode servir de contato para chegar a uma vacina. Infelizmente são poucos os que não manifestam a doença. O restante da população, em torno de 85%, quando se infecta pelo HIV, pode começar a manifestar a doença, em média, de 7 a 10 anos. Há pessoas que manifestam com 15 anos, mas tem outras que manifestam um pouco antes desse período, com 5 anos, por exemplo.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico principal é feito pelo exame de sangue, para detectar, ou não, a presença de anti-corpos contra o vírus HIV. Faz-se primeiro um exame de triagem, o ELISA (em inglês, Enzyme-Linked Immuno Sorbent Assay) anti-HIV. Se der positivo, o médico faz um segundo teste confirmativo, em que o mais comum é o Western blot. Se este der positivo, fecha o diagnóstico da infecção pelo HIV.

Como é o tratamento?

O tratamento é uma terapia antirretroviral combinada, antes chamada de coquetel. Essa terapia é a associação de, no mínimo, três medicamentos, que aumentam as defesas do organismo. O tratamento é balizado de acordo com os sintomas apresentados pelos pacientes ou pelo exame das alterações laboratoriais.

Se o paciente tem o HIV comprovado e tem os sintomas da Aids, independentemente dos exames, ele deve iniciar o tratamento. Aquele que tem o HIV, mas não apresenta sintoma dessa infecção, o tratamento dele vai ser balizado pela contagem de linfócitos e pela carga viral. Indica-se tratamento para quem tem menos de 350 células T CD4 (um tipo de linfócito) por microlitro de sangue.

Quais os efeitos colaterais do uso de medicamentos antirretrovirais?

A curto prazo, todo medicamento que uma pessoa tomar pode causar algum efeito colateral. Com relação à terapia anti-HIV, isso não é diferente. No início é comum ter um pouco de enjoo, vômito, dor de cabeça, diarréia, náusea, etc. Esses sintomas, com a continuidade do tratamento, desaparecem aproximadamente depois de uma semana.

A longo prazo, pode haver alterações do perfil da gordura e de glicose do paciente. Ele pode apresentar um princípio de diabetes, colesterol muito alto e lipodistrofia (ou lipoatrofia). Como os medicamentos atuais têm uma receptividade melhor do que os medicamentos usados na década de 90, pode-se diminuir os efeitos colaterais tendo uma vida saudável.

Quais as principais dicas para manter a saúde?

Não consumir bebidas alcoólicas/beber com moderação, não fumar, praticar exercícios físicos, ter uma dieta adequada - quanto mais verdura, legume e fruta se comer, melhor - ter sono adequado, tomar as vacinas de prevenção e, principalmente, manter uma atividade sexual saudável e sem risco, ou seja, usar o preservativo em todas as relações sexuais, mesmo que esse paciente esteja também contaminado pelo HIV. Se os dois estiverem contaminados, é prudente usar o preservativo em todas as relações, pois o vírus de um paciente é diferente do vírus de outro, o que pode provocar mutações e dificuldades no tratamento.

Os problemas emocionais, como a depressão, podem comprometer o tratamento?

A depressão é comum no início do tratamento, mas ela geralmente passa com o tempo. Há casos em que o problema persiste, o que chamamos de depressão endógena. Neste caso, o tratamento da Aids pode sair prejudicado na medida em que o paciente não tem vontade de ir ao médico, não tem ânimo para fazer exercício físico, se esquece de tomar os remédios, etc.

Informações dadas pelo Dr. Unaí Tupinambás, médico clínico infectologista, professor adjunto do Depto. de Clínica médica da Faculdade de Medicina da UFMG e médico do Dpto. Nacional de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.